Violência no namoro. 11,6% das vítimas correram risco de vida
Impala News
Publicado a 15 Set, 2021

Segundo dados recolhidos pelo observatório, das 284 denúncias recebidas, 140 foram feitas por ex-vítimas, 115 por testemunhas e 29 por atuais vítimas.

O Observatório da Violência no Namoro (ObVN) recebeu nos últimos três anos 284 denúncias, das quais 266 de jovens mulheres, sendo que 91,9% dos agressores são homens e em 11,6% das situações relatadas as vítimas correram risco de vida.

Vítimas são quase na sua totalidade do sexo feminino

Segundo dados recolhidos pelo observatório, das 284 denúncias recebidas, 140 foram feitas por ex-vítimas, 115 por testemunhas e 29 por atuais vítimas.

As vítimas de violência são quase na sua totalidade do sexo feminino (89,7%) e os agressores são jovens homens (91,9%), com uma média de idades de 25 anos. Os dados do observatório revelam ainda que, em 46.8% dos casos, os agressores ainda namoram com as vítimas, e em 52.5% dos casos, são ex-namoradas.

A média de idades das vítimas é de 23 anos, 92,3% são portuguesas e 89,1% são heterossexuais e, em relação à ocupação, 59.5% são estudantes. O local de maior incidência da violência é a habitação (69.7%), seguido da rua (51.8%), estabelecimento público (por exemplo café ou discoteca) (32%) e escola/faculdade (26.4%). Em 27.5% das situações de violência relatada foi praticada online.

As tipologias de violência mais relevantes, segundo as denúncias, são a violência psicológica (84.5%), a violência emocional (82%), a violência verbal (80.3%), seguida do perda de controlo (63.7%).

A violência física foi relatada em 48.6% das situações, seguida pela violência social (35.6%), perseguição (32.7%) e depois a violência sexual (22.5%).

Em 14.4% dos casos as vítimas dizem ter sido alvo de ameaças de morte.

Indicam os dados que 20.4% das vítimas necessitaram de receber tratamento médico e 2.8% foram hospitalizadas em consequência da agressão sofrida.

Quanto às principais causas apontadas para a existência de violência durante o namoro, os denunciantes destacaram o ciúme, em 70.8% das situações, problemas mentais da pessoa agressora (37%), o consumo de álcool ou de outras substâncias pelo agressor (22.5%) e os problemas familiares (19.5%).

Também a conduta da vítima foi referida em 18% das queixas, seguida da influência dos amigos (14.1%) e as dificuldades económicas da pessoa agressora (9.9%).

Os crimes ocorreram, em 43% dos casos, no Porto, 15.5% das situações verificaram-se em Lisboa e 7.7% dos casos em Braga.

Segundo a plataforma de denúncia informal de situações de violência no namoro, vividas diretamente ou testemunhadas por terceiros, 77.5% das situações não foram denunciadas às autoridades.

O Observatório da Violência no Namoro é uma iniciativa da Associação Plano i no âmbito do Programa UNi+, financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, nos dois primeiros anos, e pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego POISE do Portugal 2020.

OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA NO NAMORO

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