«Violência no namoro é crime»
Diário do Minho
Publicado a 11 Ago, 2021

É necessário alterar crenças e comportamentos para acabar com a violência no namoro

«A violência no namoro é ainda percebida por muitas pessoas como algo “menos grave” uma vez que se encaram as relações de namoro como menos “sérias”.

Contudo, não podemos esquecer que é um crime, que envolve riscos a diferentes níveis, incluindo o de vida, e que é um dos grandes preditores da violência na idade adulta», declaram a presidente da Associação Plano i, Sofia Neves, e a psicóloga Sofia Peixoto.

Segundo estas responsáveis, no sentido da sua erradicação, «é necessário intervir sobre os comportamentos, mas mais importante ainda, sobre as crenças». «O Estudo Nacional da Violência no Namoro no Ensino Superior é inequívoco na relação que estabelece entre as crenças conservadoras sobre as relações sociais de género e a prática da violência no namoro», lembram em declarações ao Diário do Minho.

No âmbito daquele estudo, os dados recolhidos entre abril de 2017 e janeiro de 2021, com um total de 4354 participantes, indicam que 53.8% dos/as participantes já foram sujeitas/os a pelo menos um ato de violência no namoro e que 34.4% dos/as participantes já praticaram pelo menos um ato de violência no namoro.

Segundo o “Estudo Nacional da Violência no Namoro no Ensino Superior: Crenças e Práticas”, «a violência psicológica é a mais prevalente nas relações de namoro, seguida da violência social, da violência sexual e, por fim, da violência física».

Nesta lista, 23.2% dos/as estudantes afirmam já ter sido culpados/as, criticados/as, insultados/as, difamados/as ou acusados/as sem razão , e 20.5% afirmam já ter sofrido e praticado estes mesmos atos; 19.3% relatam que já foram alvo de controlo na sua forma de vestir, penteado ou imagem, locais frequentados ou amizades ou companhias ; 16% afirmam que as suas coisas pessoais já foram mexidas sem autorização; 15.7% afirmam já ter sido ameaçados/as verbalmente ou através de comportamentos que causem medo; 13.5% afirmam já ter sido impedidos/as de contactar com família, amigos/as e/ou vizinhos/as ; 12.6% relatam que já foram impedidos/as de trabalhar, estudar ou sair sozinhos/as ; 12% afirmam já ter sido perseguidos/as; 9.7% relatam já ter sido obrigados/as a ter comportamentos sexuais não desejados; 9.4% reportam que já foram fisicamente magoados/as, empurrados/as, pontapeados/as, esbofeteados/as ou alvo de murros ou cabeçadas; 8.7% afirmam já ter sido forçados/as a ter relações sexuais ; e 6.2% afirmam já ter sido alvo de ameaças de morte, atentados contra a vida ou vítimas de ferimentos que obrigassem a receber tratamento médico.

O estudo mostra que «quem pratica violência possui crenças de género mais conservadoras, assim como quem sofre violência». Os homens «são aqueles que apresentam crenças mais conservadoras sobre as relações sociais de género », sendo que 28.3% dos homens afirmam que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres; 13.9% dos homens entendem que o ciúme é uma prova de amor; 10.8% dos homens são da opinião de que as mulheres que se mantêm em relações amorosas violentas são masoquistas; 8.5% dos homens consideram que devem ser os homens a assumir a chefia da família; 8.4% dos homens consideram que meninos e meninas devem ser educados/as de forma diferente.

O Estudo Nacional da Violência no Namoro no Ensino Superior: Crenças e Práticas é uma iniciativa da Associação Plano i no âmbito do Programa UNi+, financiada pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade (1.ª e 2.ª edições) e pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE) do Portugal 2020 (3.ª edição).

OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA NO NAMORO

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