Espaço de apoio a vítimas de violência no namoro já fez mais de três centenas de atendimentos
Diário do Minho
Publicado a 11 Ago, 2021

O Espaço UNI+, estrutura de apoio a vítimas de violência no namoro, já fez 314 atendimentos desde que foi inaugurado em Braga, a 1 de abril de 2020. Lançada pela Associação Plano i, esta estrutura adaptou-se para continuar a ajudar as vítimas durante a pandemia e para a fazer passar a mensagem de que a violência no namoro é crime.

Localizado na rua Santa Margarida, n.º 2 A – 3.º Direito, Sala 3, o Espaço UNI+ foi criado pela Associação Plano i no âmbito do UNi+ – Programa de Prevenção e Combate à Violência no Namoro no Ensino Superior.

A presidente da Associação Plano i e coordenadora científica deste projeto, Sofia Neves, e a psicóloga Sofia Peixoto, revelam que a escolha de Braga para a abertura deste espaço se prendeu com «o facto de não ter tantas estruturas de apoio neste âmbito, como existem em outras cidades, por um lado e, por outro, o facto dos números no âmbito da violência doméstica serem bastante altos em Braga». «Naturalmente que o facto de ser uma cidade jovem, com muitos e muitas estudantes do Ensino Superior, também pesou na decisão da Associação Plano i», acrescentam em declarações ao Diário do Minho. Em 2020 foram realizados, entre atendimentos psicológicos, jurídicos e psicossociais, 38 atendimentos presenciais e 126 atendimentos não presenciais.

Em 2021 já foram efetuados cerca de 150 atendimentos. «Os casos são sobretudo de violência no namoro em casais de pessoas de sexo diferente, sendo as vítimas, na sua larga maioria, de sexo feminino e as pessoas agressoras de sexo masculino», explicam.

Questionadas sobre quem recorre ao Espaço Uni+, as duas especialistas referem que esta estrutura «é procurada por pessoas
vítimas de violência no namoro que necessitam de apoio informativo, consultas de psicologia e/ou atendimento jurídico
», sendo que «a violência sofrida é múltipla, destacando-se a psicológica».

«A procura prende-se geralmente com a necessidade de perceber se estão efetivamente a viver uma relação violenta, como
podem obter apoio para deixar a relação, ou para superar uma relação violenta terminada. As vítimas revelam, por norma, sinais de ansiedade», acrescentam.

Durante a pandemia, o Espaço Uni+ «tem funcionado predominantemente em regime online, mantendo as suas ações à
distância, seja no que toca à consulta psicológica, quer no que respeita à formação».

Interrogadas sobre o impacto da pandemia na violência do namoro, a professora universitária e a psicóloga afirmam: «A pandemia teve, no geral,
impacto na violência nas relações de intimidade. É
fundamental, agora, apurar-se qual a sua extensão.

Consideramos, contudo, que ainda é prematuro fazê-lo».

O Espaço UNI+ pode ser contactado através do endereço eletrónico unimais@associacaoplanoi.org e pelo telemóvel 932698756.

Estudantes do ensino superior vão receber material informativo

No início do novo ano letivo, «os/as estudantes do ensino superior vão receber um kit» com informação sobre a violência no namoro e os recursos de apoio que a Associação Plano i disponibiliza neste âmbito, à semelhança do ano passado, em que foi levada a cabo a campanha #TipoComigoNAO.

«Estamos a reformular o Kit contra a Violência no Namoro no Ensino Superior com novos elementos para que a distribuição seja feita no início do ano letivo. A forma como o iremos fazer está dependente da evolução da situação do país», revelam a presidente da Associação Plano i e coordenadora científica do UNi+ – Programa de Prevenção e Combate à Violência no Namoro no Ensino Superior, Sofia Neves, e a psicóloga Sofia Peixoto.

Estas responsáveis referem que o trabalho com os estabelecimentos de ensino superior tem consistido no desenvolvimento de «ações de divulgação, prevenção, informação, formação e atendimento junto das comunidades das universidades e institutos politécnicos de todo o país».

«Temos também participado em vários eventos organizados por estudantes e produzido materiais que consideramos úteis para promover a reflexão sobre o tema. As redes sociais têm sido um veículo importante para a disseminação do nosso trabalho», acrescentam. As especialistas asseveram que este trabalho «foi adaptado em função da pandemia». «Foram realizadas diferentes ações em todos os âmbitos mencionados, em todo o país, contudo sempre online devido às condições de segurança exigidas pelo momento atual. Sentimos que esta modalidade, ainda que permita concretizar os objetivos do Programa, dificulta a proximidade a que estamos habituadas e que tanto valorizamos», dizem.

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